Fórum de Transparência, Participação e Controle Social

A Sociedade no Acompanhamento e Controle da Gestão Pública


New Document 1ª Consocial
Apresentação
Delegados Nacionais
Adesões Estaduais
Vídeos
Reunião online
Home


Propostas:

Nacional
Acre
Alagoas
Amapá
Amazonas
Bahia
Ceará
Distrito Federal
Espírito Santo
Goiás
Maranhão
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Minas Gerais
Pará
Paraíba
Paraná
Pernambuco
Piauí
Rio de Janeiro
Rio Grande do Norte
Rio Grande do Sul
Rondônia
Roraima
Santa Catarina
São Paulo SPO
Sergipe
Tocantins

Contato: andre61@gmail.com

Snowden recebe permissão para morar mais 3 anos na Rússia

Fonte: REDAÇÃO ÉPOCA
07/08/2014


Edward Snowden num hotel em Hong Kong, antes de viajar para Moscou.
(Foto: The Guardian via Getty Images)
 

O ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em ingles) dos Estados Unidos, Edward Snowdenrecebeu permissão de residência na Rússia por um prazo de mais três anos. Snowden, asilado em território russo desde o dia 1º de agosto de 2013, poderá morar no país até o dia 1º de agosto de 2017. Durante a vigência do visto, ele está livre para viajar a outros países, e lá ficar por até três meses.

Para o assessor legal de Snowden, Anatoli Kucherena, o visto de residência de três anos é pouco. "Por que três anos e não cinco?", afirmou ele, ao divulgar a decisão do governo russo à imprensa. "As pessoas que têm cidadania de outro país, em geral, obtêm permissão de residência por três anos e aqueles sem cidadania, por cinco anos", reclamou.

Snowden, que havia solicitado no mês passado a renovação de seu asilo temporário na Rússia, poderia obter a cidadania russa se vivesse no país por mais cinco anos. Como ele só recebeu permissão para morar na Rússia por mais três anos, ainda é incerto se um dia o governo russo lhe concederá a cidadania. E ainda se Snowden vai querer viver, para sempre, na Rússia. Vale ressaltar que desde que está no país, Snowden vive em situação de asilo temporário, e não de asilo político. Se o governo russo tivesse lhe concedido o asilo político, ele teria permissão para viver permanentemente no país. 

Antes do escândalo da espionagem americana vir à tona, o americano Edward Snowden, de 30 anos, trabalhava no escritório na NSA no Havaí. Nas suas últimas semanas de trabalho, copiou, sigilosamente, uma série de documentos secretos que evidenciavam como o governo americano espiona cidadãos e autoridades de todo o mundo. No final de maio, ele disse aos seus superiores que iria a Hong Kong para cuidar da saúde, já que sofre de epilepsia. Na verdade, queria estar longe dos EUA quando tornasse público o conteúdo dos arquivos. 

Logo que Snowden divulgou os primeiros documentos, os Estados Unidos emitiram um pedido de extradição de Snowden, que foi rejeitado por Hong Kong por "falta de requisitos técnicos".  No final de junho, o ex-técnico da NSA voou para Moscou. Como os EUA haviam cancelado seu passaporte, ele ficou morando na zona de trânsito do Aeroporto de Sheremetievo, em Moscou, por mais de um mês. Até que a Rússia lhe concedeu o asilo temporário de um ano, e Snowden pôde pisar, literalmente, no território russo.

Um ano depois, Snowden leva um estilo de vida modesto e discreto. Ele mora num local não divulgado. De acordo com reportagem do jornal britânico The Guardian, ele vive de forma solitária. É escoltado 24 horas por uma equipe de seguranças privada. De vez em quando, vai a museus e livrarias. Para se manter, conta com o salário que recebe por um trabalho (também secreto) na área de TI, além da ajuda financeira de ONGs. Quanto a seu futuro, Snowden ainda não decidiu se voltará algum dia aos Estados Unidos, onde é procurado pela Justiça sob a acusação de alta traição à pátria. 

 


Vladimir Putin, presidente da Rússia, e o visto de asilo concedido a Edward Snowden (acima). O incidente criou um estremecimento diplomático entre Rússia e Estados Unidos (Foto: Alexei Nikolsky/AP)

A espionagem americana

As revelações de espionagem em massa, vazadas no ano passado pelo ex-técnico da NSA ao jornais The Washington Post e The Guardian, provocaram um escândalo diplomático de proporções globais, ao mostrar que os serviços de inteligência americanos vigiavam milhões de comunicações, incluídas as de líderes políticos, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e a presidente Dilma Rousseff.

Com a colaboração do jornalista americano Glenn Greenwald, a quem Snowden repassou os documentos sigilosos, no final de julho, ÉPOCA revelou com exclusividade arquivos que mostram que a NSA espionou oito membros do Conselho de Segurança da ONU, no caso das sanções contra o Irã, em 2010. Em seguida, ÉPOCA teve acesso a uma carta ultrassecreta em que o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon Jr., agradece o diretor da NSA, general Keith Alexander, pelas “excepcionais” informações obtidas numa ação de vigilância de outros países do continente, antes e depois da 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, em abril de 2009.Shannon celebra, no documento, como o trabalho da NSA permitiu que os EUA tivessem conhecimento do que fariam na reunião os representantes de outros países. Em entrevista a ÉPOCA, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que manter dados em segredo faz parte do jogo diplomático, mas que a espionagem em negociações pode configurar uma forma de fraudá-las. "Estamos diante de um escândalo de proporções globais."